Notícias‎ > ‎

De Marte para o Big Data

postado em 2 de jul de 2013 17:59 por João Flávio de Freitas Almeida   [ 7 de jul de 2015 05:57 atualizado‎(s)‎ ]
Contato
Cientistas do MIT aplicam metodologias das missões a Marte para ajudar profissionais de marketing a gerenciar streaming de big data

Aparentemente, existem semelhanças entre a propaganda digital, em que sistemas automatizados decidem em milissegundos quais anúncios exibir ao consumidor, e os planejamentos de ação da NASA.

A DataXu, fundada por cientistas aeronáuticos e astronáuticos do MIT em 2007, está aplicando sua experiência em projetos de missões da NASA no mundo único da propaganda digital, de acordo com o co-fundador e CTO  da empresa, Bill Simmons. A startup baseada em Boston está usando sua expertise em otimização combinatória, técnica usada para encontrar as melhores soluções para problemas específicos, para ajudar profissionais de marketing digital a impulsionar a eficiência de seus anúncios e o retorno sobre o investimento (ROI).

Durante a administração Bush, os fundadores da DataXU – um então grupo de pesquisadores do MIT – receberam permissão da NASA para determinar quais das missões a Marte tinham melhores chances de sucesso. “Eu era um estudante de graduação no MIT, funcionário em tempo integral como assistente de pesquisa. Estava trabalhando no meu Ph.D.”, contou Simmons à InformationWeek EUA em entrevista por telefone. “Eles cederam 11 permissões para diferentes instituições. Nós competíamos contra Lockheed Martin, Boeinng e outras grandes empresas”.

Utilizando a abordagem da otimização combinatória, a equipe do MIT gerou 1.162 possíveis missões a Marte, entre 30 bilhões de possibilidades, e apresentou os resultados à NASA em um relatório de mil páginas. “Utilizamos uma técnica em que você prioriza suas decisões para eliminar primeiro as principais opções”, explicou Simmons. “Vamos dizer que, hipoteticamente, você tenha de fazer uma escolha: um membro da equipe, dois membros da equipe, três membros da equipe”.

A equipe eliminou primeiro as opções menos desejáveis. Um membro da equipe, por exemplo, não daria certo porque se ele/ela morresse ou ficasse seriamente doente, a missão falharia. “Você toma essa decisão logo no inicio: Um não é possível”, disse Simmons. “Então, você pode eliminar todas as missões e configurações que apoiam um membro da equipe”.

O que começou como um enorme número de opções, logo foi reduzido para um número gerenciável. “Em nosso caso, terminamos com exatamente 1.162 missões, e é um número bem baixo, que pode ser analisado manualmente”, disse ele. A missão a Marte e a pesquisa relacionada acabou arquivada, vítima de uma terrível economia, da nova administração presidencial em 2009 e do foco revisado da exploração espacial. Porém, a equipe do MIT logo encontrou um novo uso para a pesquisa, e, hoje, a DataXu tem cerca de 700 clientes.

A empresa se especializou em anúncios sociais, vídeo e mobilidade, mas nada de buscas ou e-mail. A tecnologia tem três componentes essenciais: uma ferramenta de decisão em tempo real, usando o algoritmo de seleção combinatória da DataXu; um sistema de gerenciamento de dados e conhecimento de máquinas; e interface de usuário para gerenciar campanhas de marketing e análises interativas. A ferramenta de decisão da DataXu tem muito em comum com a antecessora desenvolvida para Marte, embora sua missão seja posicionar anúncios e não astronautas. O processo de decisão envolve muitos fatores, incluindo horário do dia, dia da semana e local onde o usuário vive.

“Cada uma das empresas com que trabalhamos roda entre um e 50 anúncios simultaneamente”, contou Simmons. “Portanto, são diversos problemas combinatórios que temos de executar em menos de 100 milissegundos cada vez que alguém carrega uma página. E 100 milissegundos são mais rápidos que um piscar de olhos – um décimo de segundo”. A DataXu tem uma licença única do MIT para usar sua técnica de otimização combinatória, e é a única empresa de marketing digital usando essa abordagem, de acordo com Simmons, que acrescentou que a flexibilidade do sistema também o torna uma opção atraente. “Temos uma estrutura aberta de algoritmos que permite que o cliente que não queira utilizar nossa tecnologia ainda possa implementar um algoritmo escrito por seus próprios cientistas em nossa plataforma”, disse ele. “Isto é único no setor, até onde eu sei”.


Comments