D-Planejamento mestre da produção - MPS

O MPS coordena a demanda do mercado com os recursos internos da empresa de forma a programar as taxas adequadas de produção de produtos finais. Por meio de uma acurada visão do balanço entre suprimento e demanda, o planejamento mestre permite oferecer aos clientes um nível adequado de serviço, dentro das restrições impostas pelo níveis de estoques, recursos produtivos e tempo disponíveis. O plano mestre permite que o escalão gerencial se concentre onde mais interessa, em tempos de concorrência acirrada: num melhor atendimento ao cliente.

Planos estratégicos inevitavelmente falam uma linguagem financeira ou de mercado: 'faturamento de 3 bilhões', 'lucro antes do imposto de 400 milhões', 'lucro operacional de 160 milhões', 'retorno sobre investimento de 15%', 'market share de 3%', etc. Entretanto, para se tornarem realidade, esses planos estratégicos têm que ser quebrados em planos operacionais táticos: planos que definem o que deve ser feito. Esses focam em problemas mais operacionais das empresas:

  1. Plano de vendas: número de unidades que os representantes de vendas deverão esforçar-se para vender
  2. Plano de marketing: mercados a atacar, produtos, preços, promoções e esquemas de distribuição a serem usados
  3. Plano de engenharia: programas e projetos a serem desenvolvidos 
  4. Plano de finanças: receitas, orçamentos, despesas e margens de lucro visados
  5. Plano de manufatura: o que, quanto, quando e com que recursos a fábrica vai produzir

Esses planos funcionais devem estar ligados uns aos outros, e todos ao plano estratégico da empresa. A manufatura não pode, independentemente, definir o que, quanto, e quando vai produzir: quantidades a manufaturar devem ser decididas em comum com vendas, que por sua vez depende da demanda do mercado; em comum com a engenharia, que é a função que sabe detalhadamente como é o projeto do produto e processo; com a função de finanças, que é quem vai pagar por materiais, mão de obra e estoques. Por isso, é necessário um nível de planejamento intermediário, responsável pelo processo de desdobramento dos planos estratégicos em planos operacionais e funcionais. No caso da produção, o MPS é o processo responsável para garantir que os planos de manufatura estão integrados com o nível superior de planejamento estratégico. O plano mestre é uma declaração de quantidades planejadas que dirigem os sistemas de gestão detalhada de materiais e capacidade. Essa declaração é baseada em expectativas em termos da demanda e dos recursos que a empresa conta.


MPS em produção para estoque (MTS - make to stock)

Em relação à produção MTS, temos a possibilidade de mantermos estoques de produtos acabados de forma a nivelar o MPS. Dessa forma, as variações de demanda de produto acabado não impactam na estabilidade do processo produtivo, que é planejada de forma estável à produção. Outra estratégia é fazer o nivelamento por blocos, onde a variação do plano mestre é feita em macro-períodos e não impacta o processo produtivo com muita variabilidade. A estratégia de 'seguimento de demanda' determina reduz o nível de estoque de produtos acabados e aumenta a instabilidade na quantidade de produção no processo produtivo.




Cadeira Beta Atraso 1 2 3 4 5 6 7 8
Previsão de demanda independente
120 160 180 115 80 50 100 120
Previsão de demanda dependente








Pedidos em carteira








Demanda total
120 160 180 115 80 50 100 120
Estoque projetado disponível 115 110 65 0 0 35 100 115 110
Disponível para promessa








Programa mestre – MPS
115 115 115 115 115 115 115 115

MPS nivelado: 115 unidades projetadas de estoque: O estoque projetado do mês atual (t) disponível deve variar segundo a fórmula: (Est. projetado t-1 + MPS) - Demanda total

Cadeira Beta Atraso 1 2 3 4 5 6 7 8
Previsão de demanda independente
120 160 180 115 80 50 100 120
Previsão de demanda dependente








Pedidos em carteira








Demanda total
120 160 180 115 80 50 100 120
Estoque projetado disponível 31 54 37 0 28 35 72 59 26
Disponível para promessa








Programa mestre – MPS
143 143 143 143 87 87 87 87

MPS nivelado por blocos: 31 unidades projetadas de estoque: O estoque projetado do mês atual (t)  deve variar segundo a fórmula: (Est. projetado t-1 + MPS) - Demanda total

Cadeira Beta Atraso 1 2 3 4 5 6 7 8
Previsão de demanda independente
120 160 180 115 80 50 100 120
Previsão de demanda dependente








Pedidos em carteira








Demanda total
120 160 180 115 80 50 100 120
Estoque projetado disponível 5 5 5 5 5 5 5 5 5
Disponível para promessa








Programa mestre – MPS
120 160 180 115 80 50 100 120

MPS 'seguimento de demanda': 5 unid. de estoque por mês: O programa mestre do mês atual (t)  varia segundo a fórmula: (Est. projetado t-1 + Demanda total) - Est. projetado t


MPS em montagem sob encomenda (ATO - assembly to order)

Na produção ATO, não conhecemos a configuração do produto final até que o pedido do cliente seja conhecido pela empresa. Isso significa que a opção de nivelar a produção usando para isso estoque isoladores de produtos acabados não existe. A política de MPS deve, então, ser de 'seguimento da demanda'. Entretanto, é possível estocar semi-acabados a partir do primeiro nível de componentes de produtos acabados. Se isso é feito, podemos 'isolar' as variações do mercado nos setores de manufatura até mesmo montadores de subconjuntos. Os tempos de processamentos - time fences - para o plano mestre podem ser reduzidos, sendo estipulados pelo lead time de montagem a partir dos subconjuntos estocados.






MPS em manufatura sob encomenda (MTO - make to order)

Na MTO é inviável trabalhar com estoques isoladores de produtos acabados até que um pedido do cliente seja conhecido. Em relação ao ATO com um 'agravante': também não conhecemos os componentes até que o pedido do cliente seja conhecido. Isso significa que também não podemos armazenar subconjuntos de semi-acabados. A política de MPS dever ser de 'seguimento' da demanda e os tempos de processamento para o plano mestre devem ter a extensão acumulada de lead time de produção do produto considerado. Isso se a empresa adota a estratégia de armazenar matérias primas e componentes comprados. Caso contrário, os time fences devem considerar os lead times de compra, manufatura e montagem.





MPS em projeto e produção sob encomenda (ETO - enginerr to order)

Em ambientes ETO puro, a empresa não conhece nenhuma característica do produto que vai fornecer até que conheça o pedido do cliente. Isso significa que não pode armazenar componentes, nem mesmo matéria prima compradas. Portanto, não e uma opção, usar o MPS para nivelamento de demanda. A política MPS deverá ser necessariamente de 'seguimento de demanda' e time fences considerando lead times acumulados de compra, manufatura, montagem. Isso significa que a flexibilidade para mudar o programa mestre com pequena antecedência é limitada.







  1. Explique para que serve o MPS.
  2. Explique as diferenças entre os sistemas de produtção: MTS, MTO, ATO, ETO.
  3. No que diferem as estratégias de MPS nivelado, MPS nivelado por blocos e MPS com 'seguimento de demanda'?