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Logística e Brasil

postado em 28 de nov de 2012 04:38 por João Flávio de Freitas Almeida   [ 6 de mar de 2017 19:24 atualizado‎(s)‎ ]

Esse artigo aborda relações entre logística, formação profissional e infra-estrutura do país. São debatidas questões sobre a evolução da logística no Brasil, a preparação educacional do profissional de logística e o incentivo ao investimento em tecnologia de informação em empresas que buscam competitividade em seus meios; seja ela de que porte for.

Logística, segundo a ASLOG – Associação Brasileira de Logística, é uma área do conhecimento relacionado ao planejamento, implementação e controle com eficácia do fluxo e armazenagem de bens e serviços através da gestão de informação entre o ponto da origem e o ponto de consumo destes bens, a fim de satisfazer exigências de consumidores. Empresas investem em logística no intuito de reduzir de custos de transporte e armazenamento de seus produtos a fim de torná-los mais baratos ao consumidor final e mais competitivo no mercado.

A logística pode ser ramificada em intra logística (logística interna de movimentação e armazenagem), logística reversa (coleta de materiais em diversos pontos, ao invés de distribuição e entrega), entre outros. O profissional de logística deve ter conhecimento em: Gerenciamento econômico de sistemas logísticos, princípios e técnicas de logística, legislação e tributação em logística, noções de logística internacional e conhecimento para desenvolvimento de projetos logísticos.

Não é necessário fazer uma pesquisa sofisticada para afirmar que a profissão de logística ainda é pouco madura no Brasil. Isso porque a maioria dos profissionais da área desenvolveu sua carreira a partir de experiências proporcionadas pelo ambiente de trabalho. Algumas grandes empresas brasileiras buscam profissionais para ocuparem cargos de “gerente de logística” para que este possa “comandar o transporte de entregas ou devoluções de produtos a qualquer custo no menor tempo possível”, entretanto, estas empresas não sabem que o profissional de logística não “comanda” entregas e devoluções de mercadorias a qualquer custo. O profissional no cargo de gerente de logística, juntamente com sua equipe, desenvolve projetos de logística integrada da cadeia de suprimentos (Supply Chain Management) com o objetivo de modelar um processo enxuto desde o planejamento de sua linha de produtos até a entrega destes produtos nos pontos de vendas, almejando sempre a redução dos custos e cumprimento dos prazos estipulados pelos clientes. O profissional de logística necessita ter, além de conhecimento técnico, transparência na gestão eficaz por indicadores, buscando sempre dar visibilidade aos resultados atingidos. Essa prática passa a ser um diferencial competitivo tanto para o profissional quanto para a empresa.

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A difícil tarefa de gerenciar cadeias de suprimento em um país sem infra-estrutura para competição com o resto do mundo, como o Brasil, torna esse profissional cada vez requisitado no mercado. O transporte brasileiro possui uma dependência exagerada do modal rodoviário, o segundo mais caro, atrás apenas do aéreo. Estima-se que o Brasil possui gastos equivalentes a 10% do PIB com transporte. O custo do transporte rodoviário é 3,5 vezes maior que o ferroviário, 6 vezes maior que o dutoviário e 9 vezes maior que o hidroviário. Mesmo assim, no Brasil, o transporte rodoviário é responsável por 58% da carga transportada, enquanto que na Austrália, EUA e China o percentual é de 30%, 28% e 19%, respectivamente.

Há alguns anos atrás, a logística era o elo perdido da modernização empresarial no Brasil; entretanto, a estabilização econômica e o crescimento de demanda internacional por produtos brasileiros impulsionaram algumas mudanças infra-estruturais do país no intuito de facilitar o escoamento e manuseio de mercadorias. Empresas prestadoras de serviço nesse setor buscam migrar de função de transportadoras para a função de operadores logísticos. Para isso, o investimento em tecnologia da informação e profissionais de logística qualificados se torna questão de sobrevivência no mercado globalizado.
Pequenas práticas indicadas pelo IBRALOG – Instituto Brasileiro de Logística como: treinamento da equipe operacional, acompanhamento periódico das operações, práticas de qualidade 5S em ambiente de trabalho, preocupações com ergonomia, redução de estoques desnecessários, manutenção de fornecedores, uso de tecnologia de informação, endereçamento de produtos, agendamento de carga e descarga, entre outros, são fundamentais para o aumento de produtividade e redução de custos de armazéns e operações logísticas.
Dentre estas práticas, a tecnologia de informação é a que mais tem a auxiliar o gerenciamento da rotina destes profissionais responsáveis pelo planejamento operacional logístico. Sistemas de informação bem projetados e customizados às operações auxiliam a tomada de decisão nos momentos mais inesperados, pois são capazes de remodelarem operações em tempo hábil através variações de parâmetros de entrada causadas por imprevistos nas operações. Investimentos em consultoria operacional em sistemas de informação nesse setor têm sido responsáveis pelo diferencial competitivo e sucesso de operadores logísticos. O uso de tecnologia da informação em sistemas de apoio à decisão, como simuladores, softwares de otimização da cadeia de suprimentos, softwares de otimização de picking, alterações em layout, etc; reduzem custos operacionais, permitem o aumento de capacidade, aceleram o ciclo de produção e aumentam os níveis de serviço a clientes. O profissional de logística que tem domínio destas ferramentas consegue lidar com problemas de alta complexidade.
Nosso país deve investir em educação para que tenhamos profissionais de alto nível nesse setor da economia; além disso, empresas devem investir no treinamento contínuo de seus funcionários. Tomadores de decisão mais aptos têm visão estratégica de mercado, o que favorece a integração de rede de operações e aumenta a competitividade de empresas brasileiras perante o mundo.